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Sobre família, natureza e desejos: "A cor do amor"

Por Fernanda Trigo Costa


Uma história escrita para um projeto de Educação Alimentar e Nutricional, em

2017, quando Elis tinha 5 e Heitor quase 2 anos.


A MONTANHA ERA ENORME. TOCAVA OS CÉUS COM O SEU PICO COBERTO DE NEVE. SEUS PÉS ERAM FINCADOS EM UM VALE VERDE, RODEADO DE ÁRVORES COM COPAS LARGAS, QUE ABRIGAVAM ANIMAIS ENCANTADOS E FLORES MAGNÍFICAS.


EM MEIO AO VALE, UM REINO SE ERGUEU, GOVERNADO POR UMA FAMÍLIA DE NOBRES DAMAS E CAVALEIROS, CUJA PREOCUPAÇÃO ERA DE OFERECER AOS SEUS SÚDITOS UMA VIDA DE PAZ E HARMONIA. PARA MANTER A ORGANIZAÇÃO DO REINO, ALGUMAS TAREFAS ERAM DIVIDIDAS.



O REI CUIDAVA DA SEGURANÇA: OCUPAVA-SE EM OBSERVAR E TREINAR SEU EXÉRCITO PARA PROTEGER O REINO DE INVASÕES. SEUS SOLDADOS ERAM FORTES, PORÉM MUITO GENTIS, A PONTO DE NÃO PRECISAREM DE NENHUM TIPO DE ARMAS, POIS TANTO OS HABITANTES DO REINO QUANTO OS HABITANTES

DOS REINOS VIZINHOS MUITO OS RESPEITAVAM.


AS FINANÇAS TAMBÉM ERAM CONTROLADAS PELO REI, QUE, JUNTO AOS SEUS AUXILIARES, AJUDAVA AS FAMÍLIAS DO REINO A PLANEJAREM SUAS PLANTAÇÕES, CRIAÇÕES E ARTESANATOS PARA QUE PUDESSEM VENDER DENTRO E FORA DO REINO. ASSIM, TODOS CONSEGUIAM TER SUA PRÓPRIA RENDA. O REINO NÃO TINHA RIQUEZAS, MAS LÁ HAVIA TUDO O QUE PRECISAVAM PARA VIVER BEM.


A RAINHA ERA MUITO QUERIDA POR TODOS E CONHECIDA POR AJUDAR AS PESSOAS DOENTES, CUIDAR DAS ESCOLAS DO REINO E DAS ATIVIDADES RECREATIVAS PARA AS CRIANÇAS E JOVENS. TAMBÉM SE PREOCUPAVA COM A ALIMENTAÇÃO DE SEUS SÚDITOS PARA QUE TODOS PUDESSEM DESFRUTAR DE UMA VIDA ATIVA E SAUDÁVEL.


MESMO MUITO OCUPADOS COM SEUS AFAZERES, O REI E A RAINHA DEDICAVAM BOA PARTE DE SEU TEMPO AOS SEUS FILHOS: A PRINCESA, QUE ERA A FILHA MAIS VELHA, E O PEQUENO PRINCIPEZINHO QUE ACABARA DE COMEÇAR A ANDAR. A PRINCESA ERA UMA GAROTINHA ADORÁVEL, SABIA DANÇAR LINDAMENTE: ERA NOTÁVEL QUE ELA CONSEGUIA INCORPORAR A MÚSICA AOS SEUS MOVIMENTOS. ELA TAMBÉM TINHA UMA VEIA CONSTRUTORA, PASSAVA HORAS MONTANDO CASINHAS PARA BRINCAR COM SUAS BONECAS E GOSTAVA MUITO DE DESENHAR CASTELOS COBERTOS POR LINDOS ARCO-ÍRIS. AH, E O PRINCIPEZINHO ERA MUITO SAPECA, SÓ QUERIA SABER DE PULAR, SUBIR EM TUDO E SORRIR. ELE E A PRINCESA ERAM AMIGOS INSEPARÁVEIS E SE DIVERTIAM MUITO JUNTOS.


POR MAIS QUE O REI E A RAINHA SE ESFORÇASSEM, A PRINCESA E O PRINCIPEZINHO SENTIAM MUITO A FALTA DE SEUS PAIS. A FAMÍLIA REAL MORAVA NUM CASTELO BRANCO, COM MUITOS CÔMODOS E ESPAÇO PARA BRINCAR, MAS AS CRIANÇAS PASSAVAM A MAIOR PARTE DO DIA COM OS EMPREGADOS, QUE ARRUMAVAM, LIMPAVAM, COZINHAVAM E CUIDAVAM DE TODO CASTELO.


DONA ADELAIDE ERA A COZINHEIRA DAS COMIDAS MAIS CHEIROSAS, SABOROSAS E DELICIOSAS DE TODOS OS REINOS. USAVA INGREDIENTES DE PRIMEIRA, QUE VINHAM DA HORTA E DO POMAR DO CASTELO, CUIDADOS PELO SEU GERÔNIMO, QUE TODOS ACHAVAM QUIETO DEMAIS, MAS MUITO CONFIÁVEL.


A COMIDA DO CASTELO ERA MUITO APRECIADA, QUANTO MAIS AS PESSOAS GOSTAVAM DA COMIDA, MAIS GOSTOSA ELA FICAVA. ERA COMO SE HOUVESSE UMA TROCA DE ENERGIA ENTRE AS PESSOAS E A COMIDA.


NORMALMENTE A PRINCESA E O PRINCIPEZINHO ALMOÇAVAM COM OS EMPREGADOS, MAS A HORA DO JANTAR ERA SAGRADA! ERA O MOMENTO EM QUE A FAMÍLIA REAL SEMPRE ESTAVA JUNTA E TODOS APROVEITAVAM PARA CONVERSAR, CONTAR AS NOVIDADES E AS CONQUISTAS DE CADA UM.


DONA ADELAIDE SEMPRE FAZIA UM JANTAR COM MUITOS AROMAS, SABORES E CORES, O QUE OS DEIXAVA MUITO ALEGRES E ENTUSIASMADOS. APÓS O JANTAR, A RAINHA SEMPRE CONTAVA HISTÓRIAS PARA AS CRIANÇAS DORMIREM, ERA UM MOMENTO ESPECIAL, NO QUAL A PRINCESA E O PRINCIPEZINHO TINHAM A MAMÃE RAINHA SOMENTE PARA ELES.


CONTUDO, NUMA ÉPOCA SEM PORQUÊ,

TODA A HARMONIA DO REINO FOI ABALADA...


O REI COMEÇOU A FICAR AGITADO, NERVOSO E PASSOU A NÃO QUERER MAIS JANTAR, POR DIAS E DIAS. DIZIA TER PROBLEMAS COM OS SOLDADOS E COM AS PLANTAÇÕES. COMIA ALGO BEM RÁPIDO E, AO INVÉS DE FICAR COM SUA FAMÍLIA, LOGO VOLTAVA A TRABALHAR. A RAINHA, SENTINDO MUITO A FALTA DO REI, COMEÇOU A COMER BEM POUCO, DE MODO A MAL TER FORÇAS PARA CONTAR HISTÓRIAS PARA AS CRIANÇAS APÓS O JANTAR. ELA COMEÇAVA A CONTAR A HISTÓRIA, MAS LOGO ADORMECIA.


O PRINCIPEZINHO, QUE SEMPRE TIVERA MUITA FOME, NÃO CONSEGUIA COMER COMO ANTES. PARECIA QUE A COMIDA ESTAVA FICANDO SEM GOSTO, ELE COMEÇAVA A COMER, MAS LOGO NÃO QUERIA MAIS. A PRINCESA, SENSÍVEL QUE ERA, NOTOU QUE OS PRATOS DE DONA ADELAIDE NÃO ESTAVAM MAIS TÃO COLORIDOS E CHEIROSOS COMO ANTES, AS VERDURAS, LEGUMES E FRUTAS ESTAVAM SEM BRILHO, QUASE SEM VIDA. INTRIGADA A PRINCESA FICOU E LOGO TRATOU DE INDAGAR DONA ADELAIDE, QUE LHE CONTOU QUE O SEU GERÔNIMO ANDAVA SUMIDO E QUE OS ALIMENTOS DO POMAR E DA HORTA ESTAVAM CHEGANDO PEQUENININHOS E COM MUITOS MACHUCADOS. POR MAIS QUE ELA TENTASSE DEIXÁ-LOS SABOROSOS, ELA NÃO ESTAVA CONSEGUINDO.


POIS A PRINCESA RESOLVEU, ENTÃO, IR ATRÁS DO SEU GERÔNIMO. FOI ENCONTRA-LO SENTADO NUM CANTEIRO, NO MEIO DA HORTA, TRISTE, DESOLADO E CANSADO. CONTOU À PRINCESA QUE A MAGIA ESTAVA ENFRAQUECENDO. A PRINCESA NÃO ENTENDEU NADA A PRINCÍPIO, MAS TUDO TEVE SENTIDO QUANDO O SEU GERÔNIMO EXPLICOU QUE ELE MESMO NUNCA PRECISOU CUIDAR DA HORTA E DO POMAR, QUE OS FRUTOS, LEGUMES E VERDURAS SEMPRE CRESCERAM NATURALMENTE, ATRAVÉS DA MAGIA QUE ALIMENTAVA O SOLO E FAZIA TUDO SE DESENVOLVER. A HORTA E O POMAR PRECISAVAM DE AJUDA, MAS ELE NÃO SABIA MAIS O QUE FAZER.


À SUA VOLTA, A PRINCESA SÓ VIA CANTEIROS COM VERDURAS MURCHINHAS, LEGUMES COM AS CASCAS ENRUGADAS, FRUTOS SEM POLPA, CAÍDOS AO CHÃO. AS ÁRVORES ESTAVAM COM AS FOLHAS AMARELADAS E OS GALHOS DESCASCANDO, COMO SE ESTIVESSEM PERDENDO A PELE.


MAS ENTRE AS ÁRVORES, ELA VIU UMA QUE AINDA PARECIA ESTAR RESISTINDO. FOI EMBAIXO DESSA ÁRVORE QUE A PRINCESA SE SENTOU E COMEÇOU A CHORAR, ELA TAMBÉM ACHAVA QUE NÃO TINHA O QUE ELA PUDESSE FAZER.


SEU CHORO FOI INTERROMPIDO QUANDO UMA MAÇÃ CAIU EM SUA CABEÇA. AO OLHAR PARA CIMA, OUTRA MAÇÃ CAIU BEM NO SEU NARIZ. AGORA ELA CHORAVA DE DOR. E OUTRA MAÇÃ CAIU EM SEU OMBRO. FOI AÍ QUE A PRINCESA FICOU MUITO BRAVA. COMEÇOU A BRIGAR COM A ÁRVORE, DIZENDO QUE JÁ NÃO BASTAVA A FAMÍLIA DELA ESTAR TODA TRISTE, A COMIDA ESTAR SEM GOSTO E TODA A HORTA SEM VIDA, VEM UMA MACIEIRA JOGAR MAÇÃS EM CIMA DELA??!! SÓ PORQUE ERA A ÚNICA ÁRVORE AINDA BELA, COM RAÍZES FORTES E FOLHAS VIVAS, ACHAVA QUE PODERIA MACHUCÁ-LA??!


ENTÃO UMA OUTRA MAÇÃ FOI LEVADA POR UM GALHO, LENTAMENTE ATÉ A BOCA DA PRINCESA, QUE PAROU DE ESBRAVEJAR E PÔDE SENTIR O AROMA MAIS INSPIRADOR DE TODAS AS MAÇÃS QUE JÁ TINHA COMIDO EM TODA SUA VIDA. AO MORDER E MASTIGAR A MAÇÃ, ELA SE LEMBROU DA ÚLTIMA TORTA DE MAÇÃ QUE ELA E SUA FAMÍLIA HAVIAM COMIDO, EM SEU ANIVERSÁRIO DE 5 ANOS. SENTIU NOVAMENTE TODA A FELICIDADE DO MOMENTO EM QUE COMEMORAVAM O DIA EM QUE ELA PODIA, ENFIM, MOSTRAR QUE TINHA 5 ANOS, ABRINDO TODOS OS DEDINHOS DE SUA MÃO.


ENTÃO ELA OUVIU COMO SE UMA FADINHA SOPRASSE EM SEU OUVIDO:


“O QUE FAZ TUDO VIVER E CRESCER É O AMOR, NÃO HÁ MAGIA MAIS

FORTE DO QUE O PODER DO AMOR”.


SENTIU UMA ENERGIA TOMAR SEU CORPO E, MAIS RÁPIDO DO QUE UMA FLECHA, A PRINCESA FOI FALAR COM O SEU GERÔNIMO, PARA QUE COLHESSE TODAS AS MAÇÃS DA MACIEIRA E AS LEVASSE À DONA ADELAIDE.


ANTES DELE, A PRINCESA CHEGOU À COZINHA E PEDIU QUE DONA ADELAIDE RECEBESSE AS MAÇÃS COM MUITO CARINHO, POIS ERAM OS ÚNICOS FRUTOS, DA ÚNICA ÁRVORE QUE AINDA TINHA VIDA NO POMAR. E QUE ELA PREPARASSE A MELHOR MASSA, O MELHOR CREME E UMA TORTA DE MAÇÃ QUE TAMBÉM FOSSE ÚNICA!


ASSIM QUE SAIU DA COZINHA, A PRINCESA CORREU PARA O MENSAGEIRO DO CASTELO E PEDIU A ELE QUE ENCONTRASSE O REI E A RAINHA E DISSESSE:


“HÁ ALGO MUITO IMPORTANTE NO CASTELO QUE VOSSAS

ALTEZAS PRECISAM VER, ALGO ÚNICO E MUITO VALIOSO”.


SEM PERDER TEMPO, A PRINCESA ENCONTROU O PRINCIPEZINHO, LEVOU-O ATÉ A MACIEIRA E PEDIU QUE ELE MORDESSE DA MAÇÃ. AO SENTIR O SABOR DA MAÇÃ O PRINCIPEZINHO DEU UM BELO SORRISO, COMO DE COSTUME, E EM UM MINUTO A DEVOROU TODINHA.


QUANDO VOLTARAM AO CASTELO, VIRAM QUE A TORTA DE MAÇÃ ESTAVA PRONTA. O AROMA TOMAVA TODOS OS CÔMODOS E JÁ SE VIA NO ROSTO DE DONA ADELAIDE O PRAZER EM TER FEITO O QUE ELA MAIS AMAVA. A PRINCESA AJUDOU A ARRUMAR A MESA: COLOCARAM UMA TOALHA BELÍSSIMA, PRATOS COLORIDOS E A TORTA BEM NO CENTRO, COBERTA POR UM PROTETOR DE METAL RELUZENTE. A PRINCESA E O PRINCIPEZINHO SE SENTARAM À MESA, AGUARDANDO SEUS PAIS.


O REI E A RAINHA CHEGARAM JUNTOS, AFOBADOS E PREOCUPADOS, NÃO TINHAM IDEIA DO QUE PODERIA TER ACONTECIDO NO CASTELO. A PRINCESA PEDIU QUE FICASSEM CALMOS E SE SENTASSEM. O PRINCIPEZINHO MAL CONSEGUIA FICAR PARADO NA CADEIRA, TAMANHA ERA A EUFORIA QUE ESTAVA SENTINDO. O REI SE SENTOU EM FRENTE A RAINHA, AMBOS OLHANDO PARA A PRINCESA, QUE MANSAMENTE DISSE: “MAMÃE, POR FAVOR, VEJA O QUE HÁ NESTE PRATO”.


A RAINHA LEVANTOU O PROTETOR DE METAL E INSTANTANEAMENTE SEUS OLHOS SE FECHARAM AO SENTIR O AROMA DA TORTA. O REI ENSAIOU EM FICAR BRAVO, MAS FOI TOMADO POR UMA SENSAÇÃO GOSTOSA AO OLHAR PARA SUA RAINHA SE DELICIANDO COM O AROMA DA TORTA. TODOS SORRIRAM.


DONA ADELAIDE SERVIU UMA FATIA PARA CADA UM. EM SILÊNCIO, TODOS COLOCARAM UM PEDAÇO DE TORTA NA BOCA E, MAGICAMENTE, UM BRILHO IRRADIOU DE DENTRO DA SALA DE JANTAR DO CASTELO PARA TODO O REINO.


SEGUNDOS DEPOIS OUVIU-SE O SEU GERÔNIMO GRITAR DE FELICIDADE, VENDO A HORTA E O POMAR GANHAREM VIDA NOVAMENTE.


DA COZINHA, DONA ADELAIDE OUVIA RISOS E GARGALHADAS VINDOS DA SALA DE JANTAR. SEU CORAÇÃO ESTAVA EM PAZ: AS CORES TINHAM VOLTADO AO CASTELO.


E NAQUELA NOITE, TODOS FORAM EMBALADOS POR UMA BELA HISTÓRIA CONTADA PELA RAINHA, POR UM MOMENTO PLENA E ABSOLUTA: SENTIA-SE E ERA SOMENTE MÃE.

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