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Siga pelo caminho dos fios e descubra suas surpresas: "Tecendo Luz"

Por Fernanda Trigo Costa - Julho de 2020

Ilustrações: parceria de Stella Ferreira (@fiosdeestrela) e Fernanda Trigo Costa

Frase do título: Stella Ferreira


Esse texto veio numa noite, logo após eu contar uma história para as crianças dormirem. Coisa rara é eu não dormir antes deles, mas eu entendo que havia um motivo nessa noite.

Levantei-me da cama e rascunhei rapidamente as ideias e os sentimentos.

De fato, naquele dia, eu acabara de aprender o ponto baixo do crochê, que sempre via minhas avós e minha mãe fazendo, mas parecia impossível pra mim.

Na manhã seguinte, o texto tomou forma e uma pessoa não saía de minha cabeça enquanto eu o escrevia.

Terminei o texto e foi pra ela que o mandei, em primeira mão.

Ela leu e disse que eu precisava mostrar isso pro mundo.

Ela reescreveu este texto em seu caderno, de forma colorida.

Ela tem sido a agulha que me cutuca, quase todos os dias.

Daí veio o blog, daí vieram os panetones. Daí, tenho certeza, que vem mais.

E disso tudo uma grande parceria e amizade vêm sendo construídas.

Surpresas de uma quarentena muito produtiva!!


Tecendo Luz

Era uma vez, num tempo onde todas as casas se tornaram castelos, um pequeno menino que gostava muito de fios. Barbantes rústicos, lãs fofas e quentinhas, linhas delicadas, cordas robustas...Ele adorava amarrar, enrolar e misturar os fios em suas brincadeiras, quaisquer que fossem.


Nesse período, os castelos ficavam escondidos entre as nuvens, adormecidos. Cada família ficava dentro de seu próprio castelo e famílias de reinos diferentes não podiam se visitar.


Em seu castelo, sem poder sair, o menino reparou que os

fios foram se multiplicando, pois eram muitas cores,

comprimentos e texturas que ele nunca vira antes.

A rainha desse castelo era muito criativa, mas pouco sabia o que fazer com tantos fios. Há muito tempo, quando ela ainda era pequenina, ouvira uma história que dizia que os fios, quando entrelaçados, eram mágicos. Tinham um poder de nos fazer encontrar algo incrível dentro de nós. A história dizia que as mãos que os tocavam conseguiam se fortalecer e emanar uma força vinda do coração de quem os estava entrelaçando, força esta capaz de dissipar luz.


Ao mesmo tempo em que os fios tocavam as mãos e a magia

chegava ao coração, a luz do coração chegava aos fios e

os deixava ainda mais especiais e poderosos.


Foi então, que a mãe propôs ao menino que dessem formas aos fios. Sabido que era, o menino começou a trançar fios brancos e, empolgado com a luz que já ia se formando nos primeiros pontos, logo se lembrou do Sol que há tempos não brilhava, escondido por detrás das nuvens. A mãe, aquecida pela iniciativa do menino, sentiu que deveria começar pelos roxos e, aos poucos, percebeu que os movimentos de seus dedos eram conhecidos – embora não soubesse de onde – eram genuínos, aconteciam naturalmente.


Assim, o menino já seguiu pelos vermelhos e com muita vontade terminou essa cor rapidamente, percebendo que seus pontos eram mais fortes e bem formados. Então pegou os amarelos, respirando profundamente e sentindo o ar entrar e sair de seu corpo, de forma a tirar de dentro dele o melhor que ele podia fazer. A rainha estava nos fios laranjas, com um leve penar, mas seguiu em frente já pensando nos vários tons de verde que a esperavam.

Mas o menino não a deixou sozinha com os verdes, ele também foi atraído por eles e ambos teceram uma linda manta, com desenhos de folhas e flores, crianças e animais. Por fim, os fios azuis foram entrelaçados com muita calma e tranquilidade, eram a última cor. Juntos, eles resolveram aproveitar ao máximo a luz e magia daquele belo trabalho.


Quando terminaram, não sabiam se era o azul dos fios que ainda impregnava aos olhos, mas perceberam que as nuvens haviam ido embora. Ao se atentarem, notaram que os fios estavam em torno de todo o castelo, colorindo-o e fazendo com que ele brilhasse como nunca, refletindo a luz do sol.

No dia seguinte, os amigos dos reinos vizinhos foram visitá-los,

trazendo lindos presentes que cada um tinha feito

em seu próprio castelo enquanto as nuvens encobriam o céu.


Stella Ferreira

Mãe Waldorf, arteira dos fios desde a infância, empreendedora, especialista em artes-manuais para educação, criadora e idealizadora da Fios de Estrela.


Instagram @fiosdeestrela

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